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Caramujo africano

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Um surto desencadeado por uma gaveta. Mas sei bem que não foi por isso. É um acúmulo de situações. De ignorar o que está bem na sua frente. Ontem eu quis morrer mais uma vez. Morrer para essa forma como estamos vivendo. Morrer para acabar logo com isso... Com as coisas que me matam. Mas morrer beneficiaria a quem? Meu corpo transladado talvez só trouxesse sofrimento. E não é com você que me preocupo. Não é bem esse "de volta para minha terra" que eu queria. Entretanto, eu nem sei se tem volta. Volta. Voltar atrás o que nem deveria ter saído. Ou começado. De todos os gritos que eu dou, o de "socorro" é o que você nunca escuta.

Panetone

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O cérebro humano é um dispositivo muito engraçado. Quando você mais precisa dele para criar coisas, ele simplesmente não funciona. Te faz ficar dando voltas e voltas e voltas e voltas. Quando você fica chateado com alguma coisa, o teu cérebro faz questão de lembrar de todas as coisas que podem piorar a chateação. Lembra do dia que você comeu todo o meu panetone e disse que compraria outro e não comprou? Então, eu me lembro. Ou meu cérebro enfatiza essa lembrança. Talvez aquele dia em questão fosse o estopim. Eu só não interpretei dessa forma na época. Apesar de gostar muito de panetone, o que me chateia não é falta do alimento em si, mas a maneira como você reagiu. Ou melhor, a maneira como você reage mediante as minhas questões. Toda vez que eu tenho questões a serem discutidas ou apresentadas, você reage de modo hostil. Como se eu estivesse errada por simplesmente agir como um ser humano. Igual o dia que você se irritou por eu estar irritada. Aquele foi o verdadeiro ápice. Eu deveria...

O retorno de quem nunca se foi

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Silêncio. Não há nada que eu possa fazer para silenciar os pensamentos que tenho. Talvez eu só quisesse ser livre, como um pássaro que não se preocupa com que há de fazer no amanhã. Amanhã. Ou depois... Quem sabe? Quem sabe o que acontecerá, depois do dia que tudo acabar. Às vezes queria que acabasse, terminasse de vez o que nem deveria existir. Pausa, penso, pausa, falo, grito, choro. Tudo e nada. É o poço mais fundo da minha alma. Quem sabe escasso, quem sabe seco. Quem sabe? Morrer já não parece mais tão feio. Olha aí ela voltando,  Vem com força a maldita. Maldita hora que abri a janela e deixei a luz entrar.  Bendita hora que fechei a porta para não te ouvir gritar. Não tenha tanta certeza, quem a tem, cai de esperteza. Isso aqui nem era para rimar.  Eu nem sei o que eu quero. Nem sei o que dizer. Você me tira do sério e faz minha alma perecer. Que merda de rima chata, fica pairando na minha cabeça. Talvez eu seja um pouco louca. Me desculpa, meu caro mestre, não con...

Sentimento

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Se a culpa é minha, por que sinto um vazio? Se a culpa é minha, por que parece que não? Se a culpa é minha,  qual seria a solução? Se a culpa é minha... onde está a linha que alinha? Pretérito mais-que-perfeito se eu tivesse autossabotado se tu tivesses autossabotado se ele, ela, você tivesse autossabotado se nós tivéssemos autossabotado se vós tivésseis autossabotado se eles, elas, vocês tivessem autossabotado

Mr. Bean

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We love, We fight, We fuck with all the intensity of our heart. But I don't understand, why am I so angry? I try to figure out in the deep of my soul, but I don't have answer. Something in me says you are the victim in here. Maybe I'm crazy. No this type of crazy, But a little bit crazy. The only thing I know is that I love you. It was just impossible do different.  I never loved someone so deep. I couldn't do it before, it was too dangerous.  But now... I love you. Really... Yes! I love you.

Letras perdidas em um dia chuvoso

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  Começou com um orgasmo, Depois veio o elogio. O dia ficou tão bonito. Queria me molhar na chuva mas prefiro me encharcar aqui dentro. A goteira na cozinha já não incomoda, Ela traz alegria. Seus braços são pequenos, mas cabem toda minha imensidão. Queria voar no teu sorriso E sentir tua alma tocando meu coração.

Reflexão de um "eu" que não faz mais textão

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Tive uma dor no peito hoje. Não de infarto ou ansiedade, mas uma dor de nostalgia. Ao finalmente ler o poema "Morte e Vida Severina", lembrei de quando escutei pela primeira vez em uma aula de história ou sociologia, pois a professora era a mesma, a música "Funeral de lavrador". Senti a mesma dor ou recordei do que senti na época e chorei.